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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Festas populares

Estamos em digressão (fins de semana) pelas Festas Populares deste Portugal profundo.
Há 2 fins de semana estivemos na festa das Aranhas perto de Penamacor e este fim de semana fizemos uma dupla: sábado na festa da Urraca e domingo na festa do Sobral no concelho de Oleiros.
Os pequenos andam maravilhados: a Rosa mal ouve música dança, ou abana o corpo, ou levanta os braços e move-se até cair para o lado de sono e de cansaço.
O José delira com as rifas onde ganhou as coisas habituais, para ele maravilhosas novidades.
As festas são momentos incríveis de partilha.
As festas populares são para se estar com as pessoas, e em família com amigos e conhecidos que se encontram pelo menos uma vez por ano.
Naquela data.
Naquele arraial, com um mesmo conjunto musical, a ouvir as mesmas músicas: má melodia, má letra, grandes interpretes, porque conhecidos de todos e muito populares.
Na festa da Urraca vai sempre um mesmo conjunto musical que tem um rapaz que toca guitarra ou baixo ou lá o que aquilo é, e ele desce do palco e vem com a sua guitarra eléctrica dançar para o meio das pessoas e as pessoas tentam ignorá-lo, mas ele não deixa. Este ano ganhou um adepto de tenra idade que com uma guitarra de plástico o seguia arraial fora... uma delicia.
Na festa das Aranhas o ponto alto foi o rancho folclórico com todo o arraial a dançar o Mata Aranha... As adufeiras de Idanha deram o seu melhor...
As festas populares são isto, o convívio, o estar o beber mins atrás de mins de preferência até cair para o lado.
As festas servem para mostrar o vestido o carro novo, o filho mais pequeno, perceber que passou mais um ano e que estamos mais velhos, ou não, para alguns é bom, para outros nem tanto.
Partilham-se maleitas e partilham-se confidências, vê-se alguém que andava desaparecido e come-se. As festas em Portugal fazem-se sempre à mesa, com a mesa, onde a comida não pode faltar... Vamos almoçar, encontramo-nos no arraial depois do jantar, reunimo-nos no adro para comer o porco assado no espeto e beber as mins, sempre as mins.
Não há festa em que falte min.
Agosto é o mês das festas e é bom ir, é bom estar, é bom manter a tradição, é bom haver arraiais em Portugal.
A Rosa veste o seu vestido mais bonito que a meio já está sujo, mas mostra-o orgulhosa por ser, por estar bonita, mais bonita ainda e por todos lho dizerem...
Vaidosa, mantém a tradição do traje, de trajar bem para ir à festa.
O José, aprecia as motas, dança um pouco, corre para lá e para cá e brinca e gosta de ir e de estar e quer saber porque não estão todos. Os que faltam porque não vieram? Para o José festa é sinal de muita gente de muitos primos, de tios de amigos de pessoas... Festa é sinal de gente, muita. Festa é confusão é musica é comida é agitação é alvoroço...

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Espectáculos para crianças

Cada vez que se faz, no sentido da criação, um espectáculo para crianças, lá vem a eterna discussão sobre a faixa etária recomendada, o que percebem ou não as crianças, se aguentam ou não…
Eu, altamente critica em relação a tudo isto, não acredito em barreiras etárias. É ou não é um espectáculo para crianças? Tem ou não tem conteúdos próprios para crianças, usa ou não linguagem de crianças, tem ou não tem um ritmo adequado a este exigente público?
Se sim, então é para qualquer criança! Parece-me lógico que a Rosa que tem apenas 8 meses não vá ver um espectáculo que não seja para bébés, afinal é isso que ela é! Não tem sequer limiar de atenção que o valha… vai com certeza seguir o ritmo e ver as cores e as luzes, mas ficamos por ai, aguenta certamente alguns minutos, isto na boa das hipóteses…
O José tem quase 3 anos e tem visto algumas coisas, não muitas coisas mas algumas e aguenta perfeitamente qualquer espectáculo que tenha as características acima referidas. Tinha apenas 18 meses, ou nem tanto e foi ver uma opera infantil, onde várias crianças saíram a meio e até antes. Como é óbvio não percebeu a história, não percebeu o que cantaram ou sequer os movimentos que fizeram, mas esteve atento à música e aos sons. Esteve atento às cores, à luz e á sua ausência…
Com quase 2 anos foi ver um daqueles espectáculos altamente comerciais que não valem em nada a saída de casa, percebeu a história do princípio ao fim e até teve pesadelos com a história. Não me parece relevante o que retêm, não me parece relevante o fio condutor ou sequer a narrativa, acho importante que vejam e que depois possamos analisar o que viram que possamos falar sobre isso, tudo o resto fica ao critério das crianças…